Girl suggesring from anxiety and overreacting. Portrait of worried intense girlfriend with short messy hair, frowning and biting fingernails while feeling nervous, being bothered by thoughts.

O que é Ansiedade?

Ansiedade, quem nunca sentiu?

Os transtornos de ansiedade estão entre os problemas de saúde mental mais comuns atualmente e podem afetar pessoas de qualquer idade.

Ansiedade, essa sensação ruim que deixa angustiado, tira o sono e muitas vezes leva a pessoa a sua primeira consulta com o cardiologista. Inclusive gosto de brincar com meus clientes que os cardiologistas atendem mais casos de ansiedade do que psicólogos e psiquiatras e que sempre mandam eles nos procurar.

Porém, a ansiedade nada mais é que uma reação natural do organismo diante da percepção de uma ameaça à nossa integridade física ou emocional, seja real ou imaginária. Ela faz parte do funcionamento normal do cérebro e tem um papel fundamental para a nossa sobrevivência, pois nos coloca em alerta para ativarmos o famoso mecanismo de luta ou fuga.

Por exemplo, tenho certeza que você já vivenciou uma situação em que está atravessando uma rua depois de ter se certificado que não vinha nenhum veículo, porém percebe um carro vindo em alta velocidade “do nada”. Em poucos instantes, seu cérebro identifica o perigo e coloca seu corpo em estado de alerta. O coração acelera, a respiração fica mais rápida, os músculos se contraem e você reage correndo para atravessar ou voltando para a calçada. Isso é a ansiedade te ajudando a resolver uma situação de ameaça.

Grande parte dessa resposta envolve uma pequena estrutura do cérebro chamada amígdala, responsável por detectar situações potencialmente perigosas e acionar rapidamente mecanismos de defesa. Tudo isso acontece de forma automática, antes mesmo de termos tempo para pensar racionalmente sobre o que está acontecendo. Essa mesma estrutura que nos protege em situações de perigo também pode nos causar muito sofrimento quando passa a ser ativada em momentos inadequados. E esses momentos, se vivenciados repetidamente, podem gerar os Transtornos de Ansiedade.

Ou seja, a ansiedade não deve ser vista como uma inimiga. Ela é um mecanismo natural e necessário do nosso organismo. O problema aparece quando esse sistema passa a disparar em situações nas quais não existe um perigo proporcional, causando sofrimento e limitações. Esse mecanismo, quando passa a funcionar de forma exagerada ou inadequada, pode nos trazer complicações (e geralmente uma visita a profissionais de saúde).

Quando a ansiedade deixa de ser normal?

Conforme já dito, o problema surge quando esse sistema de proteção começa a funcionar de maneira exagerada ou inadequada. Nos transtornos de ansiedade, o cérebro passa a interpretar como perigosas situações que, na realidade, não representam uma ameaça significativa.

Como consequência, a amígdala é ativada repetidamente, fazendo com que a pessoa permaneça em constante estado de alerta. Isso gera intenso sofrimento emocional e diversos sintomas físicos, como palpitações, tensão muscular, falta de ar, inquietação e dificuldade para relaxar. Pode inclusive surgir sensação de desmaio e, em alguns casos, a pessoa passa até mesmo a evitar sair de casa.

Esse funcionamento pode ser observado em diferentes transtornos de ansiedade. Um exemplo é a Síndrome do Pânico, em que a pessoa passa a temer acontecimentos extremamente improváveis, como morrer subitamente, perder o controle ou sofrer uma doença grave, mesmo sem evidências concretas de que isso esteja acontecendo.

Como a ansiedade acontece?

Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), entendemos que não são apenas os acontecimentos que determinam como nos sentimos, mas principalmente a forma como interpretamos esses acontecimentos. Quando interpretamos uma situação como perigosa, nosso cérebro ativa automaticamente o sistema de alerta. Quanto mais frequentes e intensas forem essas interpretações, maior tende a ser a ansiedade.

Duas pessoas podem viver exatamente a mesma situação e reagir de maneiras completamente diferentes. Isso acontece porque cada uma faz uma avaliação diferente da realidade. Provavelmente você já percebeu que aquilo que lhe causa muita preocupação pode não preocupar outras pessoas. Da mesma forma, algumas pessoas podem estranhar medos que, para você, fazem todo sentido.

Para entender melhor como a ansiedade surge, imagine a seguinte situação.

Duas pessoas recebem exatamente a mesma mensagem no celular:

“Depois preciso falar com você.”

A primeira pessoa imediatamente pensa:

“Fiz alguma coisa errada.”

Em poucos segundos, seu coração acelera, ela começa a imaginar tudo o que pode ter acontecido e passa o restante do dia angustiada, criando diferentes cenários negativos na cabeça.

A segunda pessoa recebe exatamente a mesma mensagem, mas pensa:

“Depois descubro o que é.”

Ela continua suas atividades normalmente e decide esperar até que a outra pessoa entre em contato novamente.

Perceba que a situação foi exatamente a mesma para ambas. A diferença não estava na mensagem, mas na forma como cada uma a interpretou. É justamente essa interpretação que determina a intensidade da ansiedade que sentimos. Quanto mais interpretamos uma situação como perigosa, ameaçadora ou catastrófica, maior tende a ser a resposta de ansiedade do nosso organismo.

Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), chamamos esse processo de interpretação automática. Muitas vezes, essas interpretações acontecem tão rapidamente que nem percebemos que elas existem. O resultado é que sentimos a ansiedade como se ela tivesse surgido “do nada”, quando, na realidade, ela foi desencadeada pela maneira como nosso cérebro avaliou aquela situação. É por isso que duas pessoas podem viver exatamente o mesmo acontecimento e experimentar níveis completamente diferentes de ansiedade.

Quais são os principais sintomas da ansiedade?

A ansiedade pode se manifestar de diferentes maneiras. Algumas pessoas percebem principalmente os sintomas físicos, enquanto outras sofrem mais com pensamentos constantes de preocupação ou mudanças no comportamento. É comum que vários desses sintomas apareçam ao mesmo tempo.

Sintomas físicos

Quando o cérebro interpreta que existe uma ameaça, o organismo entra em estado de alerta. Isso provoca diversas alterações no corpo, como:

  • Coração acelerado (palpitações);
  • Respiração rápida ou sensação de falta de ar;
  • Tensão muscular;
  • Tremores;
  • Suor excessivo;
  • Boca seca;
  • Sensação de aperto no peito;
  • Tontura;
  • Náuseas ou desconforto gastrointestinal;
  • Dificuldade para dormir;
  • Cansaço constante.

Esses sintomas fazem parte da resposta natural de luta ou fuga. O problema é que, nos transtornos de ansiedade, eles podem surgir mesmo quando não existe um perigo real.

Sintomas emocionais

No aspecto emocional, a ansiedade costuma provocar:

  • Medo intenso;
  • Sensação constante de preocupação;
  • Nervosismo;
  • Irritabilidade;
  • Sensação de estar “no limite”;
  • Dificuldade para relaxar;
  • Inquietação.

Muitas pessoas relatam a impressão de que algo ruim vai acontecer, mesmo sem conseguir explicar exatamente o motivo.

Sintomas cognitivos

A ansiedade também interfere na forma como pensamos. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Pensamentos negativos frequentes;
  • Preocupação excessiva com o futuro;
  • Dificuldade para controlar as preocupações;
  • Catastrofização (imaginar sempre o pior cenário possível);
  • Dificuldade de concentração;
  • Sensação de que a mente não consegue “desligar”.

Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), esses padrões de pensamento recebem bastante atenção, pois muitas vezes são eles que mantêm e intensificam a ansiedade.

Sintomas comportamentais

A ansiedade também modifica a maneira como a pessoa age. Alguns comportamentos frequentes são:

  • Evitar lugares ou situações que provocam medo;
  • Buscar constantes garantias de que tudo ficará bem;
  • Adiar decisões importantes;
  • Verificar repetidamente se está tudo certo;
  • Isolar-se socialmente;
  • Deixar de realizar atividades importantes por receio de que algo ruim aconteça.

Embora esses comportamentos possam trazer um alívio momentâneo, eles costumam fortalecer a ansiedade a longo prazo.

Quais são os principais transtornos de ansiedade?

Existem diferentes tipos de transtornos de ansiedade. Embora todos tenham em comum o medo e a preocupação excessivos, cada um apresenta características próprias.

Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

Caracteriza-se por preocupações excessivas e persistentes com diversos aspectos da vida ao mesmo tempo, como trabalho, saúde, família, dinheiro ou futuro. A pessoa sente dificuldade para controlar essas preocupações, mesmo quando reconhece que muitas delas são exageradas.

Síndrome do Pânico

É caracterizada por crises intensas e inesperadas de ansiedade, acompanhadas por sintomas como palpitações, falta de ar, tremores, tontura e sensação de morte iminente ou perda do controle. Após algumas crises, muitas pessoas passam a viver com medo de que uma nova crise aconteça.

Fobia Social

Também chamada de Transtorno de Ansiedade Social, caracteriza-se pelo medo intenso de situações em que a pessoa possa ser observada ou avaliada pelos outros, como falar em público, iniciar uma conversa, participar de reuniões ou conhecer pessoas novas.

Fobias Específicas

São medos intensos e desproporcionais relacionados a objetos ou situações específicas. Podem envolver animais (como baratas ou cães), alturas, elevadores, aviões, sangue, agulhas, tempestades, palhaços e inúmeras outras situações.

Agorafobia

Caracteriza-se pelo medo de estar em locais ou situações dos quais seja difícil sair ou receber ajuda caso ocorra uma crise de ansiedade. Por isso, algumas pessoas evitam locais abertos, transporte público, shoppings, filas ou ambientes muito movimentados.

Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)

Embora atualmente tenha uma classificação própria nos manuais diagnósticos, o TOC ainda é frequentemente associado aos transtornos de ansiedade. Ele é caracterizado pela presença de pensamentos obsessivos (indesejados e repetitivos) e comportamentos compulsivos realizados na tentativa de reduzir a ansiedade provocada por esses pensamentos.

Quando procurar ajuda para tratar a ansiedade?

Sentir ansiedade faz parte da vida. Todos nós ficamos ansiosos em determinadas situações, como antes de uma entrevista de emprego, de uma prova, de uma apresentação ou diante de mudanças importantes. No entanto, é importante procurar ajuda quando a ansiedade deixa de ser uma reação passageira e passa a interferir na qualidade de vida.

Alguns sinais merecem atenção:

  • A preocupação é intensa e difícil de controlar na maior parte dos dias;
  • Os sintomas físicos são frequentes e causam sofrimento;
  • A ansiedade interfere no trabalho, nos estudos ou nos relacionamentos;
  • Você evita situações por medo de sentir ansiedade;
  • Surgem crises de pânico ou episódios de medo intenso;
  • Há dificuldade para dormir ou relaxar devido às preocupações;
  • Você sente que está deixando de viver experiências importantes por causa do medo.

Muitas pessoas convivem com a ansiedade durante anos acreditando que esse sofrimento faz parte de sua personalidade ou que precisam simplesmente aprender a suportá-lo. Felizmente, isso não é verdade.

Como a Terapia Cognitivo-Comportamental ajuda?

A ansiedade pode ser tratada. A Terapia Cognitivo-Comportamental é considerada uma das abordagens mais eficazes para o tratamento da ansiedade e dos diferentes transtornos de ansiedade.

Durante o processo terapêutico, o cliente aprende a compreender como seus pensamentos, emoções e comportamentos se influenciam mutuamente, desenvolvendo estratégias para reduzir o sofrimento e recuperar sua qualidade de vida. A Terapia Cognitivo-Comportamental trabalha justamente para identificar interpretações automáticas e avaliar se elas realmente correspondem à realidade.

Ao longo do tratamento, a pessoa aprende a reconhecer padrões de pensamento que alimentam a ansiedade, desenvolver interpretações mais equilibradas e enfrentar gradualmente as situações que passaram a provocar medo.

Além disso, sempre que possível, a terapia também busca atuar sobre as circunstâncias reais que estão contribuindo para o sofrimento. Afinal, nem toda ansiedade surge de uma percepção distorcida: algumas situações realmente exigem mudanças práticas na vida da pessoa.

O objetivo não é eliminar completamente a ansiedade, já que ela é necessária para nossa sobrevivência, mas fazer com que ela volte a cumprir sua verdadeira função: proteger, e não limitar a vida.

Se você percebe que a ansiedade está limitando sua vida, saiba que ela tem tratamento. Com acompanhamento psicológico é possível compreender o que está acontecendo, aprender novas formas de lidar com os pensamentos ansiosos e recuperar sua qualidade de vida. Se quiser conversar sobre o seu caso, entre em contato comigo. Será um prazer acolher você e avaliar como posso ajudar.